Publicação em português

A DUPLA PATERNIDADE DO CONTENCIOSO HISTÓRICO.

         O Contencioso Histórico tem uma dupla paternidade: Aujoulatista e Gaullista.

Louis-Paul Aujoulat, médico de origem argelina, nascido a 28 de Agosto de 1910, chegou aos Camarões em 1935 e ficou até 1956. Foi deputado da primeira Assembleia Constituinte, em 1946. O seu objectivo principal foi ligar os Camarões à União Francesa, seleccionando as elites camaronesas favoráveis à preservação dos interesses franceses, que aceitariam exercer o poder, jogando um papel secundário e artificial. Foi ministro e trabalhou na Organização Mundial da Saúde.

De Gaulle, carismático líder da resistência francesa contra a ocupação nazi, faz parte dos Chefes de Estado franceses mais venerados da História da França. Acabou por fazer dos países africanos aquilo que ele mesmo combateu contra o nazismo alemão, ou seja, aquilo que ele não quis que os nazis fizessem em França. Pierre Messmer, o militar regressado do Vietname, onde acabara de perder para Ho Chi Minh, e que assumiu as funções de Alto-comissário da França nos Camarões, escreveu nas suas Memórias como relatou ao General De Gaulle que a violência política planeada e implementada neste território estava na fase da sua ressurreição política, e conclui que o General escutou com interesse e não se opôs. Mais tarde, De Gaulle vai incumbir Jacques Foccart, responsável pela Unidade Africana do Eliseu (a presidência francesa), a missão de infiltrar e dirigir as independências dos países africanos francófonos, garantindo que os nacionalistas fossem esmagados, e que só chegassem ao poder os homens fiéis, fazendo parte do círculo oculto.

Obviamente, não se trata de minimizar o papel dos homens políticos africanos, nomeadamente nos Camarões, Mbida, Ahidjo e Companhia. Mas a França não está sozinha. Recebeu uma valiosa contribuição militar e diplomática da Grã-Bretanha. Sem este apoio, a derrota dos independentistas não era possível.

Dr Daniel YAGNYE TOM


[1] André-Marie Mbida (1917-1980). Várias vezes deputado da Assembleia territorial, deputado francês da quarta república, primeiro primeiro-ministro do Estado sob tutela dos Camarões a partir de 12 de Maio de 1957 até 16 de Fevereiro de 1958, quando a França preferiu Ahmadou Ahidjo.

Laisser un commentaire

Votre adresse e-mail ne sera pas publiée. Les champs obligatoires sont indiqués avec *